Um momento pode passar e você nunca lembrar. Por outro lado, pode ordenar severamente todas as células do seu corpo a esquecerem aquela maldita lembrança e ver todas elas desobedecerem com um sorrisinho cínico. Lembranças são teimosas, eu avisei desde o começo...
Mas, a gente também escolhe as lembranças. Porque cada minutinho vivido requer uma decisão: desde as mais insignificantes até as que podem virar tudo de cabeça para baixo. É dessas decisões que nascem, de parto inevitável, as lembranças. Algumas já natimortas... não sei porque não "vingam". Outras, crescem, se criam, arrumam a cama e lá ficam.
Eu gosto de ter lembranças. Gosto de tê-las comigo, como troféus da minha vida. Algumas que fazem o coração bater forte... e eu deixo. Sinto cada bombear de sangue, como se pudesse revivê-las. Outras chegam inesperadas e entram como um punhal, avassaladoras. Me deixo furar e sangrar. Pelo prazer de sofrer pelo que não volta, pelo que é impossível... Tem as que me fazem dar risada no meio da rua, e as que são tão boas que me aquecem: vêm para eu não esquecer que vale a pena viver. Outras são só minhas, de mais ninguém, ou de mais apenas alguém... Talvez essas sejam as filhas preferidas, que despertam ciúmes em todas as outras.
Eu lembro muito! Quase a todo momento. Eu lembro de muito... do que devia e do que não devia. Mas ok, pelo menos não tem monotonia. Ou, talvez os gânglios basais do meu cérebro sejam simplesmente loucos.
Lembranças são inesquecíveis. E talvez eu ache isso porque não lembre de alguma lembrança que eu tenha esquecido. E já que são teimosas inveteradas, não ofereço resistência. Escolhi conviver com elas assim, em paz. Deixo a porta aberta, para irem e virem, livremente. Quando uma bate a porta ou mesmo arromba, sem pedir licença, eu simplesmente respondo, lá do último quarto da alma: "Pode entrar, a casa é sua".
Música que escutei hoje e que iniciou tudo isso: